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Diário de Um Pai de Gêmeos | |||||||||||||||
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Benvindas!!! NASCERAM! Finalmente pude ver, cheirar, tocar minhas filhinhas. Filmei o parto, tirei fotos, curti de montão. Nasceram dia 25/06, conforme planejado, exatamente às 17:02 e 17:03. Ambas saudáveis, lindas, gordinhas, sem quaisquer complicações ou problemas de outra ordem. A mãe também passa super bem. A cesariana foi super tranquila, sem sobressaltos, e a recuperação tem sido muito boa. Demos o nome de Isabela para a primeira menina. A Isabela é a menorzinha das irmãs, com 47cm e 2,725Kg. A Giovana nasceu 1 minuto depois, com 49cm e 3,120Kg. Para uma gestação gemelar o fato de chegar às 38 semanas, e com as crianças com esse peso, já é por si só motivo de comemoração pelo lado médico da coisa. Outro ponto legal é que a mãe não teve aumento de pressão, de glicose, de colesterol...nada disso. Chegou até a perder peso, relativamente falando. Ela perdeu alguns kilos que foram compensados durante a gravidez. Agora após o parto, a mãe já se desfez de mais ou menos 13 kilos (somando peso das crianças, placentas, líquidos, etc). Bom, obviamente esse é o parecer mais racional da coisa. Sentimentalmente, foi um êxtase. Eu não sei o que senti, mas foi muito bom. Misturaram-se ansiedade, medo, felicidade, alegria, preocupação, satisfação, orgulho...é tanta coisa que nem sei direito. Não há como descrever o que sente. Se eu pudesse escrever uma bíblia inteira tentanto explicar, você não entenderia e nem eu gostaria do resultado pois não chegaria nem a 1.000 anos-luz do que realmente eu gostaria de passar sobre o que senti. Só quem já é pai sabe. Os parentes estão babando, tirando fotos, ligando para Deus e o mundo. O orgulho foi lá no teto com os elogios dos médicos e enfermeiras sobre a beleza das meninas. Insuflei até estourar quando eu ficava ouvindo outras pessoas, estranhos mesmos, olhando pela janela do berçário e rasgando elogios para a Isabela e Giovana, tirando até fotos! Que coisa! Não é para me gabar, mas minhas meninas realmente eram as princesas mais bonitas do berçário naquele dia. Tenho certeza disso, assim como os pais das outras crianças têm sobre as suas. Corujice é assim mesmo... As meninas ficam o dia todo conosco no quarto. Já brinquei, conversei, fiz carinho, enfim, estou curtindo horrores. Agora estou nos finalmentes dos preparativos para a vinda delas para casa. O quarto está montado, tudo pronto para receber os novos motivos das nossas vidas. A família está em polvorosa. Todo mundo acha que elas são parecidas com um tio, com a mãe, com o pai, ou com o avô...Eu não vejo nada disso. Só vejo minhas estrelas recém-chegadas. De resto, estamos seguindo os mesmos passos de quaisquer pais de primeira viagem. Tudo é medido, milimetricamente e usado conforme o manual. São instruções de uso do berço, do ar condicionado, do esterilizador, etc etc... Sabe aquele rótulo do shampoo, que manda você lavar com 35ml de cada vez, enxaguar, repetir a operação massageando por 2 minutos, depois enxaguar de novo e aplicar o condicionador da mesma marca para efeitos duradouros? Sim, é mais ou menos isso. Você até faz a primeira, a segunda vez...depois, meu caro, entre o trabalho, choros, manhas e a correria do dia-a-dia, tenho certeza tudo isso acaba rapidinho. Nem sei mais o que escrever. Seria uma heresia tentar explicar o que estamos sentido aqui. Está além das palavras e como o blog é algo para ser escrito, esse será o último texto dessa série. Sim, dever cumprido. Terei minhas memórias guardadas para sempre para que minhas meninar saibam exatamente tudo que aconteceu e sentimos durante esse processo, com a riqueza de detalhes que só existe naquele momento, e que acabam se nublando com o passar dos anos e o embranquecimento (ou queda) dos cabelos. Queria finalizar agradecendo todos os comentários feitos aqui, as rezas, os votos de saúde e felicidades...enfim, a tudo e a todos que acessaram pelo menos uma vez esse blog. Fazem parte agora da história, pelo menos da história da Isabela e a Giovana. Deus, obrigado por TUDO. Até um dia, Ricardo, Danielle e, agora, Isabela e Giovana Escrito por Ricardo Costa às 22h10 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Limites Falta muito pouco agora para nós finalmente conhecermos nossas meninas. Amanhã, segunda-feira 25 de Junho de 2007, por volta das 15:00h teremos nosso primeiro contato de fato. Falo isso por mim, obviamente...A mãe, por tê-las no ventre, já está há 9 meses curtindo isso e sentindo-as constantemente. Para nós, homens, esse momento do primeiro toque na sua cria é justamente o momento onde o pai realmente nasce. Esses últimos dias foram uma loucura. Preparação do quarto, montagem dos berços, decoração, etc. Não me envolvi em nada disso, ainda bem! Eu não tenho o menor saco e talento para esses trabalhos que requerem tranquilidade, jeito, sensiblidade. Para pai, sobrou trocar o carro para caber tudo que a Giovana e Isabela precisarão...ou seja, correr atrás de dinheiro. Fora isso, tive também duas missões dignas de figurarem como trabalhos de Hércules: instalar a secadora de roupas na parede da cozinha e os bebês-confortos no assento do carro. É algo muito chato, mas confesso que foi o menor dos problemas...para mim está cada vez mais difícil essa espera. Estou perto do meu limite. Há uma linha muito tênue entre os sentimentos que tenho agora na reta final. Há uma linha muito tênue entre o medo de uma situação de cirurgia (cesariana) e a ansiedade de vê-las ao vivo e a cores, entre o alívio de estar chegando ao final da reta e a tensão pela mudança radical na minha vida, entre a alegria de ter mais dois motivos para viver e a apreensão de não errar como pai. Muito complicado isso. É uma avalanche de sentimentos que afloram que nos deixam muito fragilizados, porém muito felizes. Hoje à noite será difícil dormir. Lembram da inquietação que tínhamos na véspera do Natal para ver os presentes? É infinitamente maior... Tudo está sendo milimetricamente planejado. Filmadora e câmera fotográfica com carga, bolsa preparada, carro limpo, roupas separadas, etc. Tudo isso para não seguir nada do planejado. Na hora H é que tudo acontece e vai do jeito que vier. O hospital deve ficar igual ao Maracanã em final de campeonato já que dezenas de amigos e familiares estarão lá de plantão. Se eu tivesse uma carrocinha de cachorro-quente eu faria uma boa grana. Só na sala de cirurgia haverá uma quantidade enorme de pessoas. Serão 2 obstetras, 1 anestesista, 2 instrumentadores, 2 pediatras, a mãe, o pai, etc...Parece que será um exército de 12 pessoas para trazer ao mundo essas duas garotinhas. Espero não pagar o mico de desmaiar ou de passar mal de algum modo. Não pelo sangue ou algo do gênero, mas pela emoção do nascimento das minhas filhas. Um filme deve passar pela cabeça da gente. No caso meu e a Danielle, isso será ainda mais forte. Nós nos conhecemos com mais ou menos 11 anos de idade, crescemos juntos, começamos a namorar com 15 anos, e estamos juntos até hoje. Dá um total de 23 anos que nos conhecemos, sendo 18 anos juntando namoro, noivado, casamento...É uma vida. Com certeza nos lembraremos das nossas brincadeiras de criança, das histórias engraçadas, e tudo mais que recheou nossa infância e adolescência. Parece realmente que tudo aconteceu há tão pouco tempo que as memórias ainda são coloridas e detalhadas nas nossas mentes. Agora, nessa nova fase da vida, nos tornaremos pai e mãe. Que loucura! Como o tempo passa depressa. Sou pai...ela é mãe...e lembro claramente do momento em que nos conhecemos 23 anos atrás. Lembro da voz infantil dela, dos meus brinquedos, do nosso primeiro beijo...Agora seremos pais. Definitivamente esse momento do nascimento será um limite e tanto a ser transposto. Seremos pais, com todas as belezas e mazelas que isso representa. Me dei conta que cresci. Isso assusta um pouco. Passarei a ter uma responsabilidade absurdamente maior que a que tenho hoje. Serei responsável em educar duas meninas. Quem sou eu para fazer isso? Se me lembro ainda de ser criança, de ser adolescente, em lembranças tão brilhantes ainda, será que estarei pronto para ser adulto de fato? Esse é mais um degrau na minha evolução. Em pouco tempo serei chamado de "tio" pelas amiguinhas dela. Terei um porta-retrato na mesa do trabalho com a foto da minha mulher e minhas filhas. Meu carro em breve terá adesivos de desenho animado por todo lado. Mais um limite da minha vida será transposto...mudarei de filho para pai, de educado para educador, de protegido para protetor, de preocupante para preocupado e, particularmente assustador, de apenas um rapaz para homem. Deus não faz nada fora de hora. Com certeza estou pronto. Giovana e Isabela, venham com tudo. Estarei de braços abertos e torcendo para que eu seja bom pai como pretendo ser. Escrito por Ricardo Costa às 23h24 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Porto Seguro Engraçado. No início da gravidez, quando as coisas pareciam ser mais lentas, eu escrevia muito mais...Parecia ter mais imaginação. Agora que a gravidez está quase no final, me faltam palavras e acabo deixando o blog sem atualizar. Talvez seja porque agora a correria é grande para comprar berços, banheira, cômoda, cortinas, montar carrinhos, etc. E com tudo isso vem a preocupação com as contas, a ansiedade de saber que data aproximada será o parto...Coisa pacas! A Dani está um caco. Ela está ótima de saúde, assim como minhas filhas, mas o tamanho da barriga e o peso estão tirando literalmente o sono da minha esposa. Está cada vez mais difícil para ela se locomover, encontrar posição para dormir ou sentar no sofá. Andar está cada vez mais complicado, cansa muito, dá taquicardia, falta de ar. Também pudera: as "filhinhas" estão enormes. Cada uma está com um tamanho entre 44cm e 47cm, e o peso gira em torno de 2,5Kg cada. Não deve ser mole! Tem criança, que é uma só, e nasce com essas medidas. Imagina ter duas vezes isso na barriga, e ainda ter que esperar mais ou menos 1 mês pela frente. Eu fico tentanto imaginar para onde foram os órgãos da Dani...acho que o coração deve estar entre o intestino delgado e o pulmão esquerdo, logo abaixo do fígado. Eu não tenho como imaginar o que é isso. Nenhum homem tem. Nessa reta final de gravidez, eu estou impressionado com as "revoluções" dentro do ventre da Dani. Volta e meia as filhinhas começam a se mexer, e eis que aparece um caroço do lado da barriga, uns reboliços...juro que dá para ver e sentir as filhinhas dando socos e pontapés. Outro dia mesmo minha esposa me abraçou por trás enquanto dormíamos, e as filhinhas literalmente me empurraram! Nem nasceram e já estão assim abusadinhas? Está todo mundo ansioso para vê-las. Eu estou me preparando para ouví-las, pois dizem que os primeiros meses são barra pesada. Já preparei meus colegas de trabalho, parceiros e clientes para o fato de ficar com as olheiras iguais a de um panda gigante. Não sei se todo pai pensa isso, mas a vontade que eu tinha era de dar um "pause". Será que elas podem ficar na barriga da minha esposa mais alguns meses? Bom, deve ser o medo natural da enorme mudança que está para ocorrer na minha vida. Eu ainda me vejo como filho, e não como pai. Isso tudo é muito estranho. Todo mundo me perguntava se eu tinha filhos, e eu respondia que não. Agora terei que me acostumar a dizer sim. Acho que foi o mesmo que senti quando me perguntavam meu estado civil e tinha que lembrar que estava casado. Eu quero muito minhas filhas, mas ao mesmo tempo dá vontade de ficar mais uns meses dizendo que ainda vão nascer, como foi a última ultrasonografia, curtir a visão delas no ventre da Dani, saber que estão protegidas e confortáveis...Deve ser o medo delas virem ao mundo e inevitavelmente crescerem. Primeiro irão chorar, depois balbuciar algumas coisas engraçadas até conseguirem falar algo que tenha sentido. Passarão a engatinhar, depois andar e correr. Irão crescer, terão amiguinhos na escola, terão sua primeira paixão de adolescente. Tudo que eu fizer será "pagar mico". As músicas que gosto serão bregas. As roupas que uso serão cafonas. Assim como fiz com meus pais, e eles com os pais deles. O passeio de final de semana, que no início será uma exigência delas, passará um dia a ser um sacrifício já que irão preferir as viagens com os amigos para a praia: "-Eu hein, passar final de semana de velho!", elas provavelmente dirão. Talvez esse seja o medo que temos quando a gravidez chega ao final. Até antes de nascerem, a impressão que temos é que temos o controle de tudo, que as coisas estão andando em uma velocidade que conseguimos digerir. Aos nascerem, tudo se move mais rápido...mais rápido que a nossa capacidade de assimilação. É a sensação de, dia após dia, ver que rapidamente perdemos essas crianças para o mundo...assim é a humanidade. Acho que ser pai é isso. É entender que a fila anda, que se prepara os filhos para a vida e não para você. É ter o orgulho de ver sua continuação vencendo na vida, sendo feliz...Mas uma coisa não tem jeito: sempre as verei como minhas pequenas filhas e estarei sempre disponível para um afago nos momentos difíceis e medos que terão ao longo de sua evolução. Enquanto ainda somos filhos, o que nos dá um enorme conforto é o fato ainda podermos contar com o colo da mãe ou com a proteção do pai, sempre que precisarmos. Quero, e irei, ser um porto seguro para minhas filhas. Escrito por Ricardo Costa às 22h06 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Apaixonado Alguns amigos meus que visitavam o blog periodicamente volta e meia me perguntam quando escreverei um novo texto. Realmente venho falhando nessa atualização. Há pouco mais de 1 mês que não coloco nada aqui. Fiquei pensando aqui o motivo disso. Será que estou sem assunto? Será que a novidade da gravidez já passou? Não é nada disso. O principal motivo tem sido a falta de tempo, aliada ao nervosismo cada vez mais crescente em relação ao nascimento de Giovanna e Isabella. Como assim você nao sabia dos nomes ainda? Que falha minha! Deixa eu até contar algo em relação aos nomes... Desde o início da gravidez nós ficamos naquele papo de louco tentando escolher os nomes e, mesmo sem saber de nada, só nos vinha à mente esses dois: Giovanna e Isabella. Coincidência ou intuição, não sei. Só sei que os nomes soaram bem aos nossos ouvidos. Ainda não temos certeza sobre a grafia correta nem como será o sobrenome, mas uma hora decidimos. Pelo menos não casei com a Baby Consuelo pois nomes seriam peças únicas como Zarimbelê, Managiuska, Krá-Shivna ou sei lá o que. Em relação aos preparativos, conseguimos já colocar os armários no quarto e este começa a ser usado desde o primeiro minuto. Já tem algumas roupinhas dadas pelos parentes e amigos. Eu achei isso particularmente engraçado pois mesmo com a barriga da minha esposa crescendo absurdos, nada como você ver uma roupinha pequena para se dar conta que está chegando a hora. Eu viajei recentemente para Las Vegas e, acreditem, foi a trabalho. Uma das minhas missões foi comprar os carrinhos das meninas. Mais um item fechado. No Brasil isso é extremamente caro (acho que gastei 10 vezes menos nos EUA no total). Recomendo fortemente para quem tem a chance de viajar pois a economia é imensa. Vou contar agora as duas coisas mais legais dessa viagem. Entre a compra de uma muamba e outra eu passei em frente a uma loja de roupas de criança. Deu um estalo na hora. A partir de hoje essas minhas viagens terão a missão adicional de trazer presentes para as meninas. Ai do pai que viaja assim e não traz as últimas novidades, brinquedos, fotos, etc. Eu entrei na tal loja e confesso que fiquei espantado comigo mesmo. Comecei a olhar os cabides, vitrines e tudo que tinha por lá procurando roupas de criança. Cara, nunca pensei que faria isso na minha vida, ainda mais em iniciativa própria. Estava lá eu então, experimentando combinações de saias e camisas, escolhendo cores de vestidinhos, pensando em como e quando elas iriam usar tal roupa, etc. Hilário. Quem me conhece nunca imaginaria me ver fazendo esse tipo de coisa. Mas eu gostei da experiência. Ali me dei conta mais uma vez que a adolescência acabou. Eu virei adulto...virei pai. Comprei bastante coisa mas as roupinhas foram, de longe, as coisas mais legais. A outra coisa legal foi a saudade. Obviamente que sempre sinto saudades da minha mulher quando viajo, mas dessa vez foi muito diferente. Doeu. À noite, no quarto do hotel, eu não conseguia parar de pensar nela. Juntando namoro, noivado e casamento nós estamos juntos a 18 anos. Posso estar sendo precipitado no julgamento, mas essa viagem foi a que me causou mais saudade dela. Eu amo a Dani. Ela é a mulher da minha vida e vivemos muito bem juntos, mas essa gravidez deu um sopro de vida diferente ao nosso convívio. De novo, estou apaixonado por uma mulher e, melhor ainda, pela mesma mulher... Sobre a gravidez em si, bem, essa minha paixão está apanhando das menininhas. Estão super saudáveis, fortes, perfeitas. Entretanto não deve ser mole ficar com a barriaga daquele tamanho. Com 7 meses, Giovanna e Isabella estão com mais ou menos 38cm e 1,5kg....sim, casa uma. Impressionante isso! Me lembro quando descobrimos a gravidez: eram duas coisinhas com 2mm. A Dani está cada vez sofrendo mais para dormir, para achar uma posição confortável e se locomover. Isso só me faz ter mais admiração por ela. Que prova de amor é maior que doar seu corpo e seu sangue para dar vida? Sem falar no que está por vir. A gente passa a vida inteira procurando sinais de que há algo divino no mundo, uma prova da existência de Deus, da alma... Andamos por vários caminhos, experimentamos tanta coisa, quebramos a cara...Posso estar comentendo um ato de heresia mas, meus caros, achei a prova. Deus é amor, é vida. Por isso, Dani, você é minha prova viva da existência de Deus...Eu te amo e obrigado pelo presente que está por vir. Escrito por Ricardo Costa às 22h50 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Sou só um garoto... Pronto. Acabou o mistério do século (pelo menos para mim). Eu serei pai de duas lindas meninas e com isso o menino fica para uma próxima rodada (acho).Pois é, começaram as piadinhas dos amigos: "Aê hein? Fornecedor no atacado!", "Beleza, meu filho se deu bem...", "Agora você vai pagar todos os seus pecados" e tantos outros clichés que se ouve por aí quando sabe que um camarada seu terá uma filha. O problema é que o camarada agora sou eu, e não terei uma, mas duas filhas. Eu ri bastante disso, até porque eu mesmo já sacaneei muito camarada meu por causa disso. Hoje vejo que é uma questão de se fazer o que gosta e por isso fiz logo duas meninas. É...verdade...isso é outro cliché muito manjado. De qualquer forma, independente das brincadeiras, eu estou felicíssimo com a notícia. Aliás, assim o estaria independente do resultado da ultra de hoje. O mais importante mesmo é sempre saber se está tudo bem, se estão saudáveis, perfeitos...aliás, perfeitas. O fato de serem duas meninas não me incomoda em nada, pelo contrário, não conheço um pai que não ache legal ter filhas. Todos só falam de coisas boas, dos carinhos, dos mimos...porém também das vontades, das atitudes que só mulheres entendem, etc. Não duvido...mulher é algo muito estranho mesmo. Melhor, estranho não: misterioso. Acho que estou é com medo, aliás, por definição, esse é o sentimento que gera um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente com base em algo ameaçador. Muitas vezes é infundado, outras simplesmente inexplicável. Meu medo tem outro significado: certeza. Certeza que essas meninas farão de gato e sapato de mim. Mudarei de pedra para vidraça. Estarei entregue, vulnerável, emaranhado pelas tranças dessas mulheres. Eu já fiz menção à essa canção no texto anterior, mas agora com a certeza de serem meninas, acho que é o momento mais que oportuno para me tornar repetitivo. Garotos (Leoni) "Seus olhos e seus olhares Sábias palavras. Serei só um garoto... Que venham as meninas. Papai está ansioso para sofrer esse amor que irão trazer. Mas tenho um pedido: façam o que quiserem, mas pelo menos façam igual à sua mãe e finjam que eu mando em alguma coisa por aqui...meu pequeno ego agradece. :-) Escrito por Ricardo Costa às 22h11 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Evolução Mais um capítulo passou hoje. Ainda não conseguimos ter a certeza absoluta sobre o sexo dos nossos filhos. Ainda não houve o desfecho do mistério dessa novela, mas as cenas do próximo capítulo parecem ser cada vez mais óbvias pois o médico hoje que examinou a Danielle nos deu 94% de chances de serem duas meninas. Os 6% de remotas chances de um deles ser menino ainda existem pois os testículos podem ainda não "descido". Bom, 94% não é 100%, mas convenhamos que as chances de termos um menino ficou ainda mais remota agora. Eu estou triste comigo mesmo. Todos ficaram felizes com a enorme possibilidade de serem duas meninas, mas eu não consegui esconder uma certa decepção com isso. Me sinto muito mal pois independente do sexo o amor será o mesmo, estão com saúde que é o mais importante, mas esse meu comportamento é mais forte do que eu. É visceral. No caminho entre a clínica e minha casa eu fiquei pensando o motivo dessa minha súbita decepção. Porquê quero tanto pelo menos um menino? Se pensarmos bem, historicamente, o homem desejava ter um filho homem para que este pudesse carregar o seu nome e assumir o "império". Isso tem explicação. Quando a mulher se casa, ela assume o nome do marido e perde o nome do pai. Pelo menos a tradição é essa. Sendo assim, seguindo essa linha de raciocínio, o homem que tem apenas filhas tem o destino inevitável de seu nome ser "perdido" na próxima geração. Eu não tenho nenhum império, a não ser o de dívidas. Não sou nenhum nobre disputando o reinado de algum país ou território. Não tenho nenhuma herança milionária. Enfim, se já não faz mais sentido essa coisa do primogênito, filho varão e tudo mais, porquê nós homens ainda sonhamos tanto termos um menino pelo menos? Será apenas uma questão de status quo? De tradição? Algo biológico? Nesses 20 e poucos minutos de trânsito eu tentei entender, de uma forma racional, o fundamento desse desejo. Tentei pensar qual a diferença de ter uma menina ou um menino, se o amor seria diferente, se seria apenas um capricho de provar masculinidade aos amigos e parentes...Avaliei as situações e quase me chamei de burro: óbvio que o amor não será diferente, é óbvio que ter um filho homem não prova nada... Estava difícil entender o caso...vocês não sabem o quanto...poxa, ter um menino seria tão legal! Eu poderia ensiná-lo a soltar pipa, jogar bola, fazer "arte", fazer campeonato de arroto, vê-lo com um bom emprego, carrão do ano, mulheres aos seus pés, etc... Foi aí que uma luz acendeu de repente na minha cabeça. É isso! A diferença é a identificação e não o amor ou outra coisa...Daí, meus caros, minha veia de psicólogo barato deu sinal de vida e comecei a divagar. A questão nem é mesmo identificação. Quantas vezes não nos identificamos com alguém mesmo sendo de outro sexo? Eu sinto isso com a minha esposa! Acho que agora entendi o caso. Não vou generalizar, mas acho que muitos homens que lerão esse blog concordarão comigo. A vontade desenfreada de ter um filho homem é, na verdade, nossa chance de redenção. Vou explicar o que acho. Com o filho homem, nós temos a sensação de ser nossa continuação, como uma cópia nossa que pode ser melhorada. Eu teria a chance de me fazer errar menos, de ser mais inteligente, de ter tomado decisões melhores, de ter menos medos, de fazer coisas que por um motivo ou outro deixei de fazer (ou fiz além do necessário)...É tanta coisa que não dá para listar. É meio que uma sensação de fazermos que nós mesmos sejamos melhores, uma falsa idéia de que aquele garoto é um clone seu. Mas não é. É outra pessoa, com outros medos, qualidades, defeitos, vontades e vivendo uma outra época. Talvez a decepção que senti tenha sido isso. Parece que vi essa minha chance de me fazer melhor indo embora. Isso é uma enorme besteira, mas é inevitável. Se eu tenho que me tornar melhor, tenho que fazer isso comigo mesmo e não através de outra pessoa. Essa outra pessoa não pode carregar meus fardos, meus complexos. Essa pessoa terá tudo isso, mas exclusivamente dele. Nossa vida é única, com desafios específicos...É a escala evolucionária, biologica e espiritualmente falando, que é criada para você, e somente você. Se vierem duas meninas, que é o que tudo indica, amarei muito a ambas. Isso sem qualquer sombra de dúvida. Imagino aqui as duas se casando, vencedoras da vida, chegando na casa dos seus "velhos" um dia e dando a notícia que seremos avós. Serão meninas, muito mais fortes que nós homens, mas inspirando aquela fragilidade que nos fascina. Serão exigentes e independentes, mas terão aquela necessidade de colo do pai que nos deixa babões. Serão enfim mulheres em toda essa disparidade que não entendemos. Mulher...menina...mãe...que palavras bonitas...tão bonitas em significado quanto homem, menino, pai...somente têm "cores" diferentes. Já dizia a música "Garotos" do Leoni: "...garotos como eu/sempre tão espertos/pertos de uma mulher/são só garotos...". É...confesso que agora me sinto bem. Sim, terei que lidar com as piadas jocosas dos amigos com a confirmação de serem duas meninas. "Aê! Fornecedor agora hein? E no atacado!". Tudo bem, faz parte. Eu mesmo sacaneei alguns dessa forma. É natural. Isso passa (tomara!). Para finalizar, sobre aquela parte acima que falei de tentarmos nos tornar melhores e tudo mais...Veja só: eu acabei de fazer isso agora ao me entender um pouco mais. Corrigi um erro, perdi um medo, fui mais inteligente...Me sinto mais leve e livre, melhor que há 15 minutos atrás. Que bom. Mais um passo positivo na minha caminhada. Escrito por Ricardo Costa às 09h22 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Umbigo Durante o carnaval eu não tive tempo de acessar o blog. Minha agenda estava lotada com churrascos, piscina, sonecas depois do almoço...Realmente estava impossível conectar para atualizá-los sobre o andamento da gravidez. Bem, como coloquei no post anterior, fomos fazer a ultrasonografia morfológica. Estávamos na expectativa de conhecermos o sexo dos anjos mas devido a uma série de fatores, o suspense irá continuar até o próximo exame. Explico: a gravidez estava em 20 semanas e os gêmeos ainda estavam um pouco "pequenos" demais para conseguirmos identificar. A médica que examinou nossos filhos disse que precisaria de mais um tempo (3 ou 4 semanas) para poder fazer um novo exame e ter mais probabilidade de avaliar o sexo deles. Foi difícil mesmo. Um deles estava com vergonha, e o outro estava escondido atrás do umbigo. O "envergonhado" na verdade tem 90% de chances de ser menina. Boa garota, manteve sua compostura (mas podia ter relaxado um pouco pelo menos para a médica, né?). Ainda estava muito cedo para dizer, nada 100% certo, mas a médica se mostrou praticamente convencida de ser uma menina. Ela disse que pode ser um menino com a "coisa" meio escondida devido a posição que estava. Se puxou ao pai, isso é impossível! Calço 42. Sabe como é, dizem por aí que "pé grande...coração grande". Bem, tirando essa minha pretensão machista, vamos pensar o seguinte: se conseguem ver os diminutos dedos da mão durante a ultra, acho difícil deixar de ver um "pinto" por menor que seja. O outro me acendeu uma dúvida. Ele estava posicionado de uma forma muito ingrata para a médica: estava atrás do umbigo da mãe, e isso causava uma "sombra" na imagem. É meio que parecido com a falta de sinal do seu celular em certas áreas..."Área de sombra", dizem eles. O celular depende de cobertura, colocação de antenas, e toda uma logística e planejamento. Agora, ultrasonografia está ali, é uma barriga, um sensor, um gel e pronto! Nada do outro mundo! Será que o inventor dessa joça não achou ainda uma forma de evitar essa "sombra"? Cara, fala sério. Qual a dificuldade de prever que o bebê pode estar atrás do umbigo da mãe? Bom, mais uma vez fico com minha opinião sobre o assunto: quem inventou esses exames nunca foram pais ou mães. É um monte de fios, sensores, monitores, gel, coisas que piscam e fazem bip-bip...Alta tecnologia, mas não consegue vencer um simples umbigo. Vamos ver na próxima se tudo dá certo e acabamos com esse suspense. Imagino que perderei várias noites com choros, manhas, fraldas e tudo mais, porém me sinto frustrado em ficar nessa ansiedade constante por um motivo tão banal quanto a sombra de um umbigo. Um UMBIGO! Pelo Amor de Deus... Escrito por Ricardo Costa às 21h32 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Sexo dos Anjos Amanhã será um grande dia. Estamos na expectativa da descoberta do sexo dos gêmeos...Ou será das gêmeas? Mistério total. Ninguém sabe nada, existem apenas palpites e estes nem mesmo são baseados em intuições...Os palpites até agora só tem refletido a vontade e não uma adivinhação. Confesso que gostaria que fossem 2 meninos. Assim eu teria uma voz mais atuante em uma família predominantemente feminina. Homem aqui não tem opinião pois somos poucos. Vindo mais 2, ganhariamos 50% a mais de espaço da "base aliada" e poderíamos pleitear nossos pontos de vista com mais peso. Fico aqui fantasiando no lance dos dois meninos. Poxa, paraíso. Eu poderia dar um arrotão, e a gente riria bastante da minha esposa reclamando da porcaria. Poderíamos bater uma bolinha com um no gol e dois na linha. Na hora de soltar pipa teria uma equipe altamente eficaz: um empina a pipa, outro passa o cerol, e o terceiro corre atrás da pipa e enrola a linha (adivinha quem vai ser o "pato"?!). Veríamos quem peida mais alto, quem tem a maior meleca, quem seria o otário do dia a levar um pescotapa ou ter as unhas pintadas enquando dorme...Coisas legais assim, de homem. Risada a todo momento. É. Talvez não seja nada disso. Podem vir 2 meninas. Daí, meu caro, continuarei na minoria. Terei que aturar mais duas fofocando sobre os outros, trocando receitas de bolo, reclamando da faxineira que não limpa atrás do sofá, etc, e continuarei com 3 ou 4 gatos pingados no clube dos cuecas para discutir temas muito mais importantes, inteligentes, relevantes: futebol, cerveja, churrasco e reclamar do chefe. Ainda terei que ouvir gracinhas dos amigos: "Aê hein...virou fornecedor hein? Foi à forra...". Por outro lado, pode vir um casal! Quem sabe? Ficamos no 1x1, nem lá nem cá, agrado a gregos e troianos...Realmente, só saberei (se souber) amanhã na ultrasonografia. Apesar das brincadeiras, minha torcida de verdade, do fundo do coração, é que ambos estejam saudáveis, perfeitos, e o resto seja o que Deus quiser. Venham meninos ou meninas, o amor será igualmente intenso. Os pais nem ao menos enxergam isso, eu acho. Os pais sempre enxergam seus filhos como crianças, como anjos. E anjos não tem sexo. Será maravilhoso da maneira que vier. Ver meu garoto fazendo o primeiro gol, falando da primeira namorada, se formando na faculdade, formando sua própria família e, um dia, se tornando um pai como eu. Por outro lado, ver minha filha fazendo a primeira apresentação do ballet, falando escondido com a mãe sobre o primeiro beijo e com medo de eu descobrir, se tornando independente, me dando a notícia que serei vovô. Realmente, será maravilhoso da maneira que vier. Caramba, olha eu aqui falando de coisas de 20, 30 anos à frente e eu nem mesmo sei o sexo deles ainda. Ainda tem 5 meses de "idade". Tantos sonhos, tantos ideais, tantas vontades. Essas crianças que estão por vir criarão seus próprios destinos, suas preferências, seus erros e acertos. É assim a vida. Falar sobre experiências só vale mesmo para quem as viveu. Eles terão que ter as deles. Terão a sua própria verdade. É daí que vem o aprendizado...deles e meu também. Meus filhos, um dia estarão lendo essa minha literatura de botequim. Nem mesmo sei quem são, como virão ou o que serão. Mesmo assim, já amo vocês mais que a mim mesmo. Se já coseguem ler e entender esse texto, já deverão ter alguma compreensão de alguns fatos da vida. Tenho certeza que o nosso amor, meu e de sua mãe, será o primeiro deles. Estaremos com vocês, venha o que vier, seja o que for, seja o que Deus quiser. Ser pai. Que experiência isso será. Escrito por Ricardo Costa às 21h18 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Incertezas Experimentei esses dias uma sensação muito triste. A que ponto chegamos. Um jovem arrasta uma criança inocente pelo asfalto até sua morte. Quandou soube disso, não pude evitar uma avalanche de sentimentos. Pena, ódio, tristeza, compaixão, medo, raiva... Nenhum deles sobrepujou o outro: foi tudo ao mesmo tempo. Agora na iminência de ser pai, esse crime me doeu ainda mais. Ora pensei como o pai do criminoso, imaginando o que um homem de bem deve estar sentindo em ver seu filho, criado com amor, cometendo um ato desses. Ora pensei como o pai da criança arrastada, imaginando a dor de ter perdido seu filho tão jovem por nada. Ao comentar esse fato atroz com amigos e conhecidos, ouvi um comentário que me fez pensar: "E você ainda tem coragem de colocar seus filhos nesse mundo?". Realmente me fez pensar por um momento. Como ainda tenho a coragem de colocar meus filhos em um mundo onde o que você é não vale nada, e sim o que você tem? Um mundo onde ser do mal parece ser moda? Um mundo onde família é simplesmente um monte de gente junta com o mesmo sobrenome? Um mundo onde parece que todo mundo não faz parte mais desse mundo? Dá medo. Muito medo. Entretanto, a vontade de ter filhos e sentir esse amor é muito mais forte que o medo. Decidi que não irei cegar minha visão com o medo das maldades que o mundo vem nos oferecendo. Há infinitamente mais belezas que mazelas, e valem o preço. O sorriso dos seus filhos ao verem você chegando em casa e reconhecendo seu amor por eles, apaga, milhões de vezes seguidas, qualquer preocupação ou medo que possa ter. Pensando nisso tenho ainda mais coragem de colocar meus filhos nesse mundo. Minha maior colaboração para o mundo melhor será amá-los e educá-los para o bem. Gandhi nasceu uma criança miserável em um local miserável e conseguiu usar o amor como "arma de guerra". Wesley Autrey, pobre e discriminado por ser negro, arriscou sua própria vida para salvar um desconhecido que havia caído no metrô de NY e estava prestes a ser atropelado. Muhammad Yunus se tornou banqueiro e decidiu ir contra todas as teorias e a ganância do mundo financeiro e criou o banco dos pobres, valorizando e trazendo esperança àqueles que viviam à margem de tudo. O amor realmente é único caminho. A tia de uma grande amiga nossa fez um comentário aqui no blog que acho muito pertinente: a vida parece um trapézio de circo. O trapezista sai da segurança de um pequeno tablado, se segura com toda força em uma barra sustentada apenas por um fio, e se lança no nada. Em um dado momento, ele solta a barra, e se vê solto, inseguro, sem nada para se apoiar a não ser pela fé de que irá conseguir segurar a barra que balança à sua frente e chegar do outro lado são e salvo, e realizado. Somente essa fé o segura. Há somente esperança. E o trapezista tem que entregar seu destino à fé e à esperança, mesmo com o medo de cair. Esse mundo louco me faz sentir que estou entre uma barra e outra, mas seguirei na fé de que minha contribuição ao mundo, através de meus filhos, fará a diferença no futuro. Pode parecer pouco...entendo, mas há uma história que ilustra bem o que quero dizer: um homem viu alguém na praia colhendo estrelas do mar presas na areia e jogando-as de volta ao oceano. Infelizmente eram centenas delas. Era impossível salvar a todas. Esse homem então parou e perguntou o porque desse esforço: "Que diferença isso faz?", perguntou. O outro homem então olhou, pegou uma estrela do mar, jogou ao mar e disse: "Para essa, fez uma enorme diferença.". Minha maior colaboração para um mundo melhor ainda está por vir, através de meus filhos. Não fico imaginando que eles serão Gandhis, Papas ou heróis. Se o amor que eu der a eles um dia os fizerem entender a importância de estender a mão à alguém que esteja em necessidade, já me sentirei recompensado. Terão feito alguma diferença e eu terei conseguido segurar a barra do outro lado do trapézio. Escrito por Ricardo Costa às 08h56 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Escolhas A gravidez vem correndo muito bem. E eu disse correndo mesmo. A Dani está no 4o mês de gestação, e parece que descobri que iria ser pai há uns dias atrás. A gravidez parece estar voando, a barriga dela crescendo cada vez mais...Por outro lado, os enjôos constantes da Dani só sumiram agora, e o fato de que ter que me virar comendo pizza e queijo quente parece ter levado uma eternidade. Com o término dos enjôos, voltei a ter carne assada, feijão, arroz, salada...Tava dose, mas tinha que compreender que só a simples menção da palavra "comida" já fazia o rosto lindo da minha mulher mudar para verde (pouparei a todos dos detalhes sórdidos). Atualmente nossa vida está praticamente recheada de tomadas de decisão. Compramos isso agora? E aquilo? Parcelamos ou pagamos na hora? Quais serão os nomes? Que cor e tema fazemos no quarto? Cansativo isso. Mas, pensando bem, deve ter sido sempre assim. Passamos a vida inteira tentanto decidir coisas. Essas escolhas vão das mais fúteis às mais críticas possíveis. O resultado, nunca sabemos de antemão, mas tenho para mim a certeza de nunca ter que me arrepender de nada que por mim tenha sido decidido. Ainda sobre escolhas, começam as dúvidas sobre como educar os filhos, se seremos muito duros ou mimaremos demais, se impomos horários ou se vemos no que vai dar...complicado isso. De qualquer forma, é algo que temos que encarar. Esses dias, porém, ouvi algo de alguém muito querido e que confiamos muito, que nos deu um enorme conforto e confiança no futuro como pais. Nós (os pais) decidimos ter filhos em determinado momento da vida, e Deus fica a cargo de separar as almas que irão voltar ao mundo e continuar no misterioso ciclo da vida. A gente não tem controle disso. Mas o que me impressionou mais na conversa com essa pessoa foi que Deus somente viabiliza essas almas. Nós não as escolhemos, nem Ele: as almas escolhem seus pais. Obrigado Deus por nos permitir ter esse milagre de termos filhos. E obrigado a vocês, pequenas almas de Deus, que nos escolheram para compartilhar seu amor conosco. O retorno, garanto, será enorme. O irônico desse agradecimento é que um dia essas almas, já seres humanos, irão ler esse texto e não irão entender muito bem o porquê disso. Talvez nem mesmo acreditem que isso existe pois já terão esquecido sua condição anterior em outro 'plano' da vida. De qualquer forma, tenham a certeza que eu e sua mãe faremos nosso melhor para que, mesmo inconscientemente, tenham orgulho de sua decisão por nós. Elizete, Serafim: esse texto dedico a vocês como agradecimento pela transferência constante de conhecimento (Tens sede? Beba água, mas não jogues fora o copo). Deus os abençoe. Escrito por Ricardo Costa às 20h49 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Gastos Começaram os gastos com a futura ninhada. Tudo que vejo, tem que ser dobrado. Quando vejo algum item e acho caro, tenho que multiplicar por dois. Complicado...dá um nervoso danado. Não pela grana em si, se pudesse comprava tudo de ouro para eles. O problema é a tensão e o cuidado de não estourar o orçamento (mais do que já está) e aquela coisa do pai, provedor, sempre preocupado em não ter que dizer 'não' em nenhum momento. Acho que é uma mistura daquele orgulho masculino com aquela coisa de 'nunca deixar faltar nada'. Enfim, nesse final de semana tive a primeira grande experiência nisso. Minha esposa foi com a mãe e irmã dela para uma feira de gestantes. Pechincharam, pediram desconto, coisa e tal, e voltaram com uma montanha de paninhos, acessório, cueiros, etc, e pelo que me disseram (hehehe) não trouxeram a lista completa nem para uma criança (quiçá duas!). Esse é um terreno inóspito para os homens. Não tentem dar dicas, controlar, etc. Isso só irá depor contra você mesmo. Ora, todos empolgados com a gravidez, e você ali fechando o bolso? A mulherada fica louca com paninhos de ursinho, cueiros de aviãozinho, lençóis de florzinha, e você ali regulando. Pior para você. Eu particularmente acho que muitas das coisas que são compradas não teram o mínimo uso no dia-a-dia. O homem tem duas escolhas: ou vai junto à feira ou dá o dinheiro certo para gastar. Ir à feira está fora da minha capacidade de assimilação. É um terreno hostil, cheio de mulheres e mães de mulheres suando, correndo de um lado para o outro, cheias de bolsas, gritando "bonitinho", 'fofinho" e outras coisas para cada coisinha bonitinha que olham em uma loja. Causa ânsia em qualquer homem. Dar o dinheiro certo é uma boa tática. Você não vai, deixa as meninas curtirem, mas corre o risco delas gastarem com um monte de coisas inúteis aos seus olhos e ainda pedirem mais dinheiro e você "Poxa bem! E olha que não comprei quase nada!!!". Já que de um lado ou de outro eu vou me ferrar mesmo nisso, e não tenho opinião (até tenho, mas não vão me ouvir mesmo), eu acabei cometendo o pecado capital mais cabeludo, coisa que o clã masculinho rejeita veementemente, motivo de expulsão do clube dos cuecas: dei o cartão de débito para a mulherada e mandei um "tá bom, tá bom...só não me enche o saco...compra as coisas lá". É...me ferrei um pouco...elas se esforçaram para conter os gastos, pedir descontos, etc. Agradeço. Mas pensei: se eu iria me ferrar de uma maneira ou de outra, melhor relaxar e deixar a vida me levar. Pelo menos evitei ficar horas em uma feira de bebês e gestantes no sábado inteiro. Só o Dalai Lama tem a genética necessária para aguentar isso...Pensando bem, acho que nem ele pois não se casou e portanto não deve ter filhos. Escrito por Ricardo Costa às 07h35 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Rapidinha... Olha, eu não sei dizer ao certo, mas será que realmente tem tanta gente grávida assim ou com filhos pequenos ultimamente ou tenho notado isso só porque terei os meus filhos? Caramba, para onde eu olho tem mulher grávida ou com filhos recém-nascidos. No âmbito profissional, tenho notado uma quantidade incontável de colegas que estão grávidos ou já cuidado de seus recentes rebentos. Parece que a Cegonha S.A. fez um investimento alto contratando novos profissionais, fez um bom plano de marketing e vem ganhando as ruas! Será que já era assim, ou agora na iminência de ser pai minha visão foi clareada? É...deve ter sido sempre assim. Eu que não notava. Aliás, isso também deve explicar a sensação de achar que tem mais policiais nas ruas agora que estou andando com o carro com IPVA atrasado e sem vistoria. Parece que todo lugar que eu vou tem uma blitz ou agentes de trânsito sedentos de vontade de me parar e pedir os documentos do carro... Escrito por Ricardo Costa às 19h40 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Pequenos Gigantes Há umas semanas atrás, fiquei perplexo com a velocidade de desenvolvimento dos meus filhos. A última ultra (dia 19/01/2007) trouxe minha perplexidade a um novo patamar. Na ultra feita dia 15/12/2006, eles estavam com mais ou menos 35mm de tamanho cada um. Pouco mais de 1 mês depois, estão entre 100 e 110mm cada um! Fica ainda mais impressionante quando penso na primeira ultra, há uns 4 meses atrás. Eles tinham 2,2mm cada um. Eles agora estão cerca de 50 vezes maiores, cada um pesando 150g. Foram feitas várias medidas, incluindo a do fêmur. Sim, eles já tem seus rascunhos de ossinhos. O fêmur deles tem agora uns 19mm (4 meses atrás o corpo inteiro deles não passava de 2,2mm). Pena eu não ter tido a chance de ver isso lá na hora. Eu estava em viagem para um treinamento interno da empresa. Só conferi os dados já em casa, lendo o laudo do exame e assistindo ao DVD (sim, algumas clínicas te oferecem a gravação do exame em DVD, o que recomendo veementemente). Apesar da chateção de não ter participado dessa, o legal é que caiu a ficha de que passou o período crítico da gravidez (1o trimestre). Agora no 4o mês a tranquilidade é um pouco maior. Uma outra ótima notícia é que minha mulher já não aparenta estar com aqueles enjôos constantes e isso, além de ser bom para ela, é ótimo para mim pois ela já consegue fazer comida. Eu já não aguentava mais comer pão com queijo, pizza, lasanha de microondas, etc. Hoje já tive um bife delicioso, acompanhado por uma guarnição à Francesa. A vida está seguindo maravilhosamente bem, apesar da pressão que parece aumentar cada dia mais na minha cabeça. Me lembro de pensar que seriam 9 longos meses, mas em um piscar de olhos já se passaram 4 deles. Nesse momento, mais que nunca, fico tenso com a quantidade de custos que estão por vir. Não me entendam mal: minha preocupação não é para o lado da mesquinharia, da avareza, e sim da responsabilidade, do medo de não conseguir fazer tudo que se deve fazer... É, pode ser besteira, mas acho que é o que todo pai sente. Talvez sinta isso para o resto da vida. Escrito por Ricardo Costa às 19h29 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Uma Dose de Razão Para Variar Quem vem lendo meus posts aqui no Blog pode ter chegado a conclusão que odeio o Dr.João e a ciência. Não pensem assim. O Dr. João tem sido muito profissional, atencioso e nos apoiado em tudo. Eu o recomendo de olhos fechados para qualquer um que me perguntar. Eu implico um pouco porque paternidade é mais emoção que outra coisa. Você só quer ouvir coisas boas, precisa daquele apoio verbal mais veementemente positivo a todo momento. Mas a vida não é assim e precisamos cair na real às vezes. A última ultra que foi feita no dia 27/12 foi um desses momentos carentes de racionalidade. Tudo correu bem, os batimentos cardíacos estavam normais, tamanho compatível com 12/13 semanas (53mm e 54mm), tudo na mais perfeita ordem. Mas essa ultra teria o foco principal na famosa translucência nucal, análise do ducto venoso e formação do nariz. Esses testes visam avaliar os riscos dos fetos desenvolverem as temidas trissomias cromossômicas. Calma, vou tentar traduzir isso mesmo sendo um total leigo. Todos sabemos que os cromossomos são formados em pares. A trissomia ocorre quando um desses cromossomos ao invés de 2 tem 3 "coisas" (deu para notar que sou leigo?). Pois bem, lembrando as aulas de biologia do colégio há eras atrás, essas trissomias resultam em problemas como Síndrome de Down e outras. Essas anomalias são o temor magno de qualquer pai. Não que os pais vão amá-los menos por esses fatos, mas não sejamos hipócritas: todos queremos filhos perfeitos. E a questão não é superficial, somente na aparência: junto a essas síndromes vem diversos potenciais problemas de saúde (coração, formação óssea, capacidade de raciocínio e socialização, etc). O mundo é muito cruel mesmo com os considerados perfeitos...Imagine com os diferentes. Graças a Deus as translucências nucais se mostraram normais (1,4mm e 1,1mm de espessura). Os ductos venosos apresentaram-se normais. A formação do nariz também. Tudo indo no caminho certo. Alívio imediato porém não definitivo. Obviamente não fiquei de mau agouro, nem pensando besteira, mas a bem da verdade esses resultados não dão 100% de certeza para o bem ou para o mal. Nada na vida é 100%. Pai, que é um inútil na gravidez, só pode fazer torcer, rezar, e apoiar a mulher. Fora isso, é levar a vida adiante e deixas nas mãos de Deus. Os médicos usam uma escala de risco (antes de depois do exame). Antes do exame o risco de trissomia do cromossomo 21 era de 1 chance em 311. Depois do exame passou para 1 chance em 1241. Nada mal. No caso das outras trissomias, as chances eram de 1 para 218. Após o exame passaram para 1 em 987. De acordo com os profissionais, muito bom. Lembram-se do início do texto, sobre o apoio verbal veementemente positivo! Então, quem seria eu para achar o contrário? Muito bom é muito bom e pronto! Dia 19/01 a Dani fará mais uma ultra. Estamos na torcida da descoberta do sexo. Até porque nesse mesmo dia começa a feira de gestantes aqui perto de casa, e minha mulher está louca para derreter meu cartão. Sem mesquinharia, mas precisamos de responsabilidade pois os custos que vem por aí não são de brincadeira. No mais, como já disse, é levar a vida para frente. Aperta-se daqui e dali...corre-se atrás...enfim, Deus provê. OBS.: Os próximos posts já estarão falando do que está passando no dia mesmo. Esse e os anteriores foram acelerados pois contam fatos desde Nov/06. Escrito por Ricardo Costa às 19h41 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O Sopro da Vida Dia 15/12 e mais uma ultra. Isso virou rotina. Mais rotineiro que tomar um chopp atualmente. Passada...aliás, passada não, digerida aquela emoção de ouvir os primeiros batimentos cardíacos dos meus filhos, já me achava pronto para mais essa visitinha ao mundo deles. O processo é sempre o mesmo, ou seja, aquela maldita tv cheia de chuviscos, máquinas com luzes brilhantes e bip-bips. "Nada novo" - pensei. Surge a imagem e ouço o comentário feliz e motivador da médica: "Ah! Os dois estão aí! Tudo muito bom...excelente!". Eu tinha que ter um gravador para fazer o Dr. João ouvir isso. Não sei se adiantaria. Ele poderia vir com mais alguma preocupação...Bom, pelo menos eu poderia bater com o gravador na cabeça dele. Enfim, voltemos aos fatos. Nessa ultra meus filhos já estavam com 36mm e 35mm, compatíveis com uma gestação de 9/10 semanas. Espera um pouco! 36mm? Caramba! Há 2 semanas estavam com 11mm! Como crescem essas coisas... Seria como você ficar sem ver um amigo seu durante 15 dias e encontrá-lo na rua medindo 6m de altura! Bem, sei que parece loucura pensar isso, mas minha barriga de chopp parece ter crescido nessa proporção nos últimos meses. Outro fato legal é que, quando a médica foi medi-los eu entendi de verdade dessa vez. Sempre aparece no laudo da ultra uma medida chamada 'cabeça-nádega'. Até a ultra de hoje eu não tive o poder de visualizar o que era cabeça e o que era nádega. Agora estava claro. Eu estava de verdade vendo duas pessoas bem pequenas! A cabeça, o formato dos olhos, da boca, braços, mãos, pernas...DEDOS! Caramba, DEDOS! Agora, o mais impressionante mesmo foi em um dado momento em que os filhotes começaram a se mexer lá dentro. Cara, é algo além da compreensão. Realmente já são pessoas de 3cm! Viram o corpo, mexem as mãos e tudo! Só faltaram reclamar que estavam dormindo...um desses movimentos parecia claramente eles virando de costas, se ajeitando para continuar a soneca...Só faltavam bater palmas e falar: "Como é que é? Estamos dormindo, pô! Sai pra lá, mané!". Obviamente um desses cientistas do Discovery Channel, que provavelmente nunca foram pais ou mães, diriam que se tratam de impulsos nervosos primitivos, que ainda não são racionais, etc etc. Pro inferno! Para mim, quando mexeram as mãos, estavam dando tchauzinho para mim e ponto final. Dane-se a teoria, ora! E tem mais! Eles pareciam estar um em cima do outro na tela, como se estivessem em uma beliche. Quando o de cima de mexeu, o de baixo começou a se mexer também e deve ter dito: "Ô! Você aí de cima! Dá para ficar quieto? E tem mais, hein? Se fizer xixi na cama e pingar em mim o bicho vai pegar...dou um peteleco nesse rascunho de orelha que você tem aí!". Me convenci que precisava agora incluir um bom dia e boa noite para essas crianças na minha rotina diária. São pequenas, estão se desenvolvendo, talvez nem me entendam ou saibam que eu existo, mas são pessoas...nossas pessoas...pessoas novas, com todas as oportunidades pela frente, que farão coisas certas e outras tantas erradas...querem existir, sentir, viver...assim como nós, os crescidos. Milagre é a forma mais fácil de se explicar o que se vê. Deus, ou seja lá o que crê, nos fez do barro e um sopro, nos dá uma alma e nos ama para sempre. É, acho que é verdade mesmo, pois quando vi meus filhos tive a certeza que poderia mover todo o barro do mundo, daria todo o ar dos meus pulmões e minha alma a eles sem pestanejar...o amor é incondicional e completo. Escrito por Ricardo Costa às 19h12 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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